sexta-feira, 25 de abril de 2008

Curtas experimentais

O Vida & Arte de 17 de abril tentou fazer um balanço geral do evento e me chamou a atenção a menção de "muito público". Teve mesmo? Pode ter sido grande, o que é muito bom, mas creio que tenha sido menor que o do ano passado, que teve mais divulgação. De uma maneira geral, o deste pareceu menos agitado, e isso foi possível ver pela movimentação do entorno dos lugares de exibição: no Dragão do Mar, havia gente da Petrobrás fazendo um quiz sobre cinema, na Praça do Ferreira havia telão, barraquinhas de comida e um estúdio de tv movimentado. Em compensação, a Revista de Cinema e o Canal Brasil estavam presentes - pontos positivos! O Cine São Luís estava sempre quente - ponto negativo.

A seleção de filmes nacionais foi melhor? Então gostaram de Desafinados, aquele híbrido de ficção com documentário que mais parecia sabe-se-lá o quê? Mas tudo bem, isso não importa. Quero falar é dos tais "polêmicos filmes experimentais" selecionados. Engraçado que se defenderam dizendo que 'é conceitual' e insinuaram que o público não entendeu o que se mostrava na tela porque... deve ser muita arte! 'Experimental' justifica muita coisa. Vi dois dias de curtas e gostei muito de algumas idéias - da idéia, do argumento.

A maioria deles tinha em comum o silêncio profundo, esse é o veículo do conceitual no experimental. A imagem em movimento que capta atores silenciosos, tomadas lentas e um quê de 'fantástico' juntos: essa é a receita. E isso me intriga: por que, em 3 filmes seguidos no domingo, os atores não deram um 'piu'? O diretor (que freqüentemente também é o roteirista nos experimentais) quer o silêncio conceitual? Com certeza, pode ser. Mas onde estão os atores de cinema de nossa cidade? Nós os temos? Eles interpretam bem? Essa é minha suspeita: não temos atores preparados para cinema. Temos atores de teatro e alguns têm trilhado o caminho do cinema local, mas, de uma maneira geral, não os vi atuando nos curtas do Cine Ceará.