domingo, 31 de maio de 2009

Para onde vai a narrativa?

Hoje eu caminhava com meu pai, e nossa conversa se centrou por um tempo no tópico narrativas. Eu falava de documentários com depoimentos de pescadores, e ele disse ter vontade trabalhar com o registo de histórias de vida e citou o (fantástico) Museu da Pessoa. E eu disse:
- Fizeram um documentário, no Bom Jardim, com depoimentos das pessoas de lá sobre como é morar no bairro, do que gostam, do que não gostam. Fiquei sabendo lá no Centro Cultural, mas não vi. Uma coisa legal, que inclusive vou colocar no meu trabalho [estou fazendo um trabalho sobre o Bom Jardim], é que, nas programações [...] tem um espacinho todo mês com um morador da região. Tem uma foto e umas 3 linhas com elas dizendo há quanto tempo moram lá, o que acham do centro cultural, o que fazem...

Ele falou de um colega que trabalha com entrevistas com pessoas "importantes", para formar um banco de imagens. O cara grava em mini-dv, parece. Ele não soube me dizer, muito menos eu, mas não é dvd, muito menos fita. Ele usa um formato menor, que será "o formato do futuro".
- Daqui a pouco, dvd já fica ultrapassado. Vai ser mais uma dificuldade; tudo vai se perder.

Parei o que fazia para postar aqui, porque li uma resenha que puxou a conversa de hoje de manhã, umas discussões de semanas atrás e uns pensamentos mais antigos: para onde vai a narrativa? Para vai o conhecimento?No início do século XX, Walter Benjamin se preocupou com a massificação de obras culturais, com a morte das grandes narrativas e com a rapidez do moderno. Mas e hoje? Temos um volume gigantesco de saberes e produções digitalizados, circulando na internet. Não me assusta tanto que a maioria das pessoas possa falar sobre si e sobre as coisas (afinal, o que estou fazendo aqui, não é verdade?), mas me assusta o risco de perder o que circula pela internet, por nem tudo ter registro material.
Acho que Benjamin é de grande validade para pensarmos aonde chegamos e imaginarmos o porvir [como disse um amigo meu, é dignoválido]. Algumas questões permanecem, embora em outra roupagem, pois, se ele se preocupava com cópia e autoria nas artes, essa preocupação continua! E é muito polêmica.

A seção Internet do Cronópios reúne bons artigos sobre essa questão.
Foi assunto no jornal O Povo de hoje, também.

1 alô(s):

joão miguel disse...

Me dou uma estrelinha.