quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Chiquim

Nem ia falar sobre o show, mas, se quero ser um blog de respeito, tenho o dever de comentar (divulgar não precisa; todo mundo já sabe) sobre os tão esperados shows de Chico Buarque em Fortaleza. Dias 24 e 25 de abril (pois é, uma terça e uma quarta - dias ótimos! parabéns, equipe do chico. parabéns meeesmo) , esta cidade recebe a turnê do cd Carioca no Siará Hall. Dizem que é o show mais esperado e que tem que ser visto, custe o que custar (se quiser a cadeira, é 60 reais a meia), porque ele pode simplesmente não querer mais pisar aqui antes de sua morte. E esta pode ser quando? Não se sabe. E, exatamente por isso, ninguém deveria brincar com os desejos da dona Morte. Ela parece ter predileção por personalidades cultuadas. Particularmente, indico para quem sinta real vontade de ir.
Os ingressos de mesa acabaram. Cadeiras à venda no local do espetáculo de cedo da manhã até umas 17 horas - com fila sempre, lembrando.
Ah, e a comunidade orkutiana Chico Buarque em Fortaleza! é palco de discussões desde preço de ingressos a quem daria para o músico/compositor/escritor.

Março de teatro

Com o tema esquetes, ontem o Pausa Dramática do Dragão do Mar trabalhou 3 textos de Lygia Fagundes Telles e hoje é a vez do Grupo Bagaceira de Teatro (Os Lesados, O Realejo...), que encena os premiados esquetes Sabonete Cabeludo, Estranhos e Quase nos Céus. Em seguida haverá um debate com o ator e diretor Carri Costa sobre esquetes e a produção no estado.
Dessa forma, faz-se a abertura para um mês todo de teatro!
:: o V Festival de Teatro de Fortaleza ::
9 - 17/3 nos teatros, praças e terminais e mostra itinerante pelos bairros entre 19 e 24/3. Programação ainda não divulgada.
:: o I Festival BNB de Artes Cênicas ::
Apresentações em Fortaleza e em Juazeiro, contando com oficinas e mostra de rua. Programação sai amanhã, dia 1º, em papel e no
site.

Assim que as programações saírem, coloco aqui pra você escrever na agenda, fazer os programas, chamar os amigos... Essas coisas. ;)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

O último dia de Miyazaki

Atenção. Hoje é o último dia da mostra de filmes do japonês Hayao Miyazaki no MIS (Museu da Imagem e do Som). Às 18h30, logo depois de cafezinho, bolo e biscoito, será exibido O Castelo Animado, o filme mais recente do diretor. A mostra, que me apresentou a seres fantásticos como dragrões, bichos grandes e fofos, bichinhos de poeira e feiticeiras, além de servir de ótimo programa entre amigos, termina como a mais popular do MIS.

Sobre a madrugada de Oscar

A tia mexicana babá de Babel não ganhou de melhor atriz coadjuvante?! O que foi aquilo? Os Inflitrados como melhor filme? Onde essa academia estava com a cabeça? No esgoto, junto ao rato tosco que aparece no fim do filme do Scorcese?!
Ah, divulgando uma campanha de um amigo: Sobrancelhas novas para Martin Scorcese!. Tá, quem sou eu para falar de sombrancelhas, sendo um monocelhinha, mas não são grossas como aquelas, não uso óculos de aro grosso e nem tenho voz de mafioso.
No meu paraoscar, melhor atriz coadjuvante: Adriana Barraza. Melhor filme: Babel. Simples assim, não tem como não ser.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Rolling Heads

Vi Maria Antonieta. Talvez você até tenha se perguntado Já?!, mas tenho certeza de que sozinho chegou à resposta: Ah é. Internet. Exatamente. Uma conhecida me emprestou em dvd.
O filme é uma obra de arte. A 7ª arte encontrou a pintura, tiveram uma paixão arrebatadora nos campos de trigo da China antiga, passearam de gôndola em Veneza, dançaram tango em Buenos Aires e viram o pôr-do-sol em Paris. Lá consumaram seu amor e deixaram o filho para Sofia Coppola criar: seu filme. Kirsten Dunst, que interpreta a rainha enforcada, deve ter passado da idade para filmes adolescentes -acho que ainda bem-, mas já viraram constante suas personagens de vida emocional ora triste, ora efervescente. Diverte-se, mas sempre sofre: assim em Brilho Eterno, Homem-Aranha 1 e 2 e em Virgens Suicidas (1º longa dirigido por Sofia - predileção por Dunst?). E.. É, e neste também.
Esse estilo de personagem, porém, parece parte da narrativa agradável do filme. A babaquice das regras sociais de Versailles, com suas formalidades e seus rituais desconhecedores da praticidade, é satirizada pela direção e pela ótima trilha sonora. Como os entretenimentos e as extravagâncias do palácio não a agradam, Marie cria mais, aumentando as despesas e contribuindo para o levante revolucionário. Muito boas a cena de troca de quadros, a rápida imagem de Kirsten no campo ao sol e uma dela deitada apenas de meias e leque.
* * *
Ao fim, me senti mal. Porque pensei: muito dinheiro foi gasto para esse filme. Tô vendo o Oscar e ganharam um por figurino. Sabe, todos esses filmes que pegamos gratuitamente custam caro. A popularidade do download de filmes só cresce. Já pensou se os estúdios começarem a ter um retorno financeiro cada vez menor? Já pensou se chegar a um ponto em que não seja mais lucrativo fazer filmes bem elaborados?? Pode parecer exagero, mas me assustei com isso. Vejo 3 cenários: Hollywood cai e a produção independente sobe, downloads ficam impossíveis e é cinema mesmo ou o capitalismo cai e o cinema fica dissociado de dinheiro. :D Ou nenhum desses. O que vocês acham?

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Moçambiques

Na 5ª-feira, 22, Moçambique recebeu uma visita indesejada. Dessas que, mesmo colocando a vassoura atrás da porta, vão tarde e ainda deixam um rastro de destruição pela casa. O ciclone Favio surgiu no oceano Índico e dilacerou um pouco do sul do país, e logo para piorar a situação da área, que tentava se recuperar do estrago das enchentes do rio Zambezi. África do Sul disse no sábado que vai ajudar - a potência regional africana em ação..
Enquanto tentam salvar alguma coisa do sul de Moçambique, aqui em Fortaleza a pergunta é Como salvar a Ilha de Moçambique? Uma exposição fotográfica da Ong Círculo de Mulheres de Ilha de Moçambique na Galeria de Artes do Sesc, que vai até dia 28 de fevereiro. O projeto expõe fotos das manifestações culturais e da população dessa ilha ao norte do país e que a ele deu nome. Por sua riqueza histórica, a ilha é Patrimônio Mundial da Unesco. E pelo que lembro do filme Língua - Vidas em Português, o escritor Mia Couto a tem como casa.
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Como Salvar a Ilha de Moçambique?
Galeria de Artes do Sesc Fortaleza
Rua Clarindo de Queiroz, 1740 - Centro ~ 2ª à tarde quero ir lá.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Orquesta ou orquestra?

Anteontem estava no Del Paseo, o shopping que contagia?, o da família?, sei lá, e dei uma olhada na Ilustrada, da Folha. A matéria era sobre a cena da música argentina, falando de bandas de pop, punk rock e indie rock. Uau, meeu! Que iraaado! Pois é, vou pesquisar no site da Folha ao chegar em casa. Mas a vida é mesmo uma caixa sádica de surpresas, pois há 2 tipos de conteúdo: um aberto, de notícias online, e um fechado, para o jornal impresso. Nãão! Não poode! Mas é.
Nos resultados da pesquisa para "argentina", vi a "Orquesta Típica", que "faz um tango punk". Orquesta ou orquestra? Wikipédia, diga aí, sua detentora do conhecimento mundial. E não é que é Orquesta?! Um grupo que toca tanto tango tradicional como moderno. Uau, brother! Que iraaado! Pois é. Emule, um pouco de Orquesta Típica Fernández Fierro no teatro 9, por favor. E ele me deu. E não é que é muito bom? Recomendo. Uma rodada por minha conta pra todo mundo. Entro no site oficial e... o quê? Estão no Brasil, tocaram ontem e tocam hoje e amanhã no Ibirapuera.

Uma noite de Telecine

Hoje, 22.02.07, vi A Vida é Bela, no Telecine Cult. Às 21h - gravei na memória. Ou seja, se estamos no horário de verão, então é às 20h. 20h e eu lá, mas nada! Finalmente, 5 para as 9, tcharam! Lá estava o tão esperado anúncio de La Vita È Bella no “Sanduíches do Oscar”, com Marcelo Janot a dar informações relevantes. Bom saber da grande admiração do ator e diretor Roberto Benigni por Charles Chaplin - lembrando das propagandas do filme, realmente o personagem é muito Charlie. A história acontece durante a 2ª Guerra, na Itália, e, assim como O Grande Ditador, Benigni trabalha o acontecimento num viés cômico, só que mais. Janot destacou as críticas ao filme por isso e a polêmica ao ganhar o Oscar de melhor filme em 1999 - amantes do grande cinema, o Oscar 2007 está logo aí.

Repleto de momentos de puro humor pastelão. Sabem a admiração por Chaplin? Pois é, ele levou isso muito a sério, só que em nível adequado ao humor do fim do século XX. Ou seja, Guido é caricato, mas contagia por inocência. O filme é cheio de cenas bonitas e referências que contribuem para embelezá-lo mais. Isso muito me agrada. Merecedor de prêmios, realmente. Elementos do filme, como as trocas de chapéus e a solicitação à chave da Maria, são usados, por exemplo, pelo personagem Guido no encontro com Dora. O mesmo faz com outros elementos em outras cenas ao longo do filme e é fantástico. Duas relevantes: quando Guido e Ferruccio passam num carro desgovernado e o movimento do braço para pedir que as pessoas se afastem é na verdade a saudação a Hitler e quando Guido vê dois meninos que brincam com aviões começarem a brigar e o pai grita: Benito! Adolfo! Simplesmente muito bom.

Interessante ver a diretora da escola como alguém que acredita na tese nazifascista de diferenças entre raças. Alguém que realmente a tinha como racional. É, é o que um contexto extremo é capaz de proporcionar em termos de pensamento e ação social...

As cenas de Guido com Giosuè, seu filho, são apaixonantes. As melhores são as da fuga do banho em casa e praticamente todas da prisão. Todas. A imagem dos dois juntos é mais uma ligação a Chaplin; lembra O Garoto. A cena final é marcante pela expressão facial do bambino Giosuè, simplesmente impagável.

Partes bonitas/tocantes/legais: 1) A avó na livraria com Giosuè. 2) Dora querer subir no trem para viver o mesmo que o marido e o filho, talvez por saber que sofreria também em casa com a ausência dos dois e sem saber o que deles tinha sido feito. 3) A menina da fazenda ouvindo as ordens do ‘príncipe' Guido (ela é muito boa! ahaha). 4) Tio Eliseo a falar dos objetos da casa.

Ou seja, para mim, tudo muito bonito e muito bom. Simplesmente. ;)
* O olhar da atriz que faz Dora (Nicoletta Braschi) tem um brilho não mais presente no cinema. Algo que se perdeu em clássicos p&b de Hollywood.
* Quando o narrador diz que aquela era a história dele e de seu pai, falou o Benigni ou o personagem Giosuè? Bom para pesquisar.

Uma referência a outro filme
Dora está sob as cobertas nos seus soluços - anteriormente apresentado como sinal de ser forçada a fazer algo -, sendo solicitada pela mãe para sair e fazer o que é melhor para a família - ou seja, um casamento (que surpresa, não?). Mas a surpresa foi ver quem era a mãe! Quem era? Hã? Hã? A atriz que interpretou la gran actriz em Tudo sobre minha mãe. O nome dela é Marisa Paredes.
No fim, mudo por segundos para o Telecine Happy e voilà! Que filme está passando? Tudo sobre minha mãe! Esse cinema! Pura metalinguagem. ;D

Próxima parada: França
Que filme logo depois no Cult? 8 Mulheres, símbolo do que há de mais cult no cinema francês recente após o aparentemente eterno Amélie Poulain, apesar de e/ou talvez exatamente por mostrar uma França que desde a 2ª Guerra não há mais. Catherine Deneuve está nesse filme. Muito pomposa, por sinal, a personagem. Imagens muito coloridas, tudo sempre muito vivo, mesmo que tudo meio morto, até porque é uma morte que atrai as oito mulheres. Trilha sonora boa.
Muito legal quando a avó grita “Um bando de ladras!”.

Tia Augustine merece estudo. Ou não, pois seria fácil, já que, pelo que lembro, todas abrem seus corações e expõem modos de pensar e sentimentos.
Bonito quando estão as 7, lado a lado, a olhar pelo vidro da janela a 8ª mulher (fechando o número do título) andando na neve.

Da França para os Estados Unidos
Mudo para o Telecine Premium e está passando Ray. Caramba... aquela foi uma atuação. Mesmo.