sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Perder-se

perder-se/encontrar-se/perder-se/encontrar-se

1. Comunicar pressupõe destinatário, pede alguém para uma troca de informação. Um público. Alguém - um conhecido, um desconhecido. Uma pessoa, duas; uma multidão, ou mesmo ninguém, embora possa ser idealizado o envio da mensagem. para com quem fazê-lo, conhecido ou desconhecido, seja um, seja muitos. Palavras, imagens/signos, símbolos, representações.
2. Para falar com um alguém, o ato de travar uma interação, muitas formas se mostram possíveis. Cartas, telefone fixo, telefone celular, mensagem de texto, e-mail, orkut. Quer saber o que ele tem feito? Orkut, blogs e fotologs são a vitrine do que se quer como intimidade. O íntimo/o pessoal/ o individual construído, por vontade ou levado. Tecnologia dá GPS, Google Maps, Google Latitude, e assim você pode saber onde alguém está, ou ao menos o seu celular.
3. Perder-se no mundo da comunicação e da tecnologia? Um mundo de mapas, roteiros, itinerários, zonas, manchas, lugares. Perder-se é se jogar ao desconhecido urbano - a periferia marcada por violência, o bairro residencial distante, a área abandonada. Perder-se é fácil no desconhecido, mas pode ser fácil se achar. Comunicar-se com/observar o outro. Há uma lógica de organização a ser decifrada.
4. Tem uma frase de Walter Benjamin muito utilizada como citação em textos de antropologia/sociologia urbana
Não saber se orientar numa cidade não significa muito. Perder-se nela, porém, como a gente se perde na floresta, é coisa que se deve aprender a fazer.
Seria impossível se perder na cidade? Aprender a fazê-lo? Perder-se na floresta é o estar no desconhecido, o inusitado, que pode sim existir na cidade, nos confins, ou mesmo no quarteirão do lado nunca adentrado. O urbano não é único, tem suas milhares facetas e peculiaridades. Não se achar na cidade é não perguntar, não andar, não rodar, não se comunicar, não ousar, não procurar, não explorar?
5. Perder-se para achar-se na vida. Sair para voltar. Procurar fora e encontrar dentro. Fugir e se encontrar distante, querendo ser e estar num lugar. Morar numa cidade nova e encontrar a antiga todos os dias, a cada novo espaço explorado. Sair dela, mas permanecer. Viver uma cidade vivendo duas, olhar uma cidade olhando sempre duas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Fóruns

Eu apagaria este blog e começaria do zero em outro, mas que nome daria?
No fim das contas, o nome não tem importância. E até gosto da idéia do teatro, o blog como palco de interações, e a vida como feita de performances.
Retomei o blog porque me voltou a vontade. Estou aqui para compartilhar descobertas e gostaria de recebê-las também. Criar o diálogo: sempre que possível será bem-vindo.
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Tenho o Fórum Social Mundial como um grande momento de encontros (e desencontros) e discussões. Foi meu primeiro; eu achava que teria como um momento liminar, onde tudo era possível. Claro que houve momentos assim, mas não foi o que predominou, logo me tirando do irreal. Seria querer demais que tudo fosse diferente, do nada. Por isso que saio do fórum acreditando ainda mais que existem caminhos por aí, e que crescerão paralelos, deles podendo sair muitas possibilidades. Uma das apostas do fsm foi a economia solidária; outra solução apontada pelos participantes foi uma presença maior do Estado, outra que também apareceu foi a 'ecovida coletiva'. Não é preciso um caminho só: o mundo é tão grande, as pessoas são tantas, as experiências são várias.
Tive a feliz descoberta da Campus Party, logo quando pensava nessas trocas da internet, da divulgação de saberes. Muita coisa do fsm poderia ser vista pela internet, em blogs. Muitas discussões acontecem por fóruns, por e-mails. Apresentações podem ser vistas por youtube. E todas essas coisas acontecem, então por que o fórum social? Vi que o momento físico (precisamos de um termo melhor para isso: real/virtual dão conta do recado?) é importante, é a concretização do que é feito em cada lugar, somado ao que se discute também pela internet. E tudo ali.
A Campus Party então foi o que na minha cabeça causou o impacto: redes sociais, trocas, compartilhamento, colaboração, wikis, blogs, tecnologia, pessoas. Tudo está aí: a internet com muitas possibilidades, com tecnologias plásticas, aguardando pessoas com vontade, curiosidade, enfim. Estou claramente empolgado com tudo isso - até porque fiz várias relações com assuntos que estudo -, mas vejo o potencial.