1. Comunicar pressupõe destinatário, pede alguém para uma troca de informação. Um público. Alguém - um conhecido, um desconhecido. Uma pessoa, duas; uma multidão, ou mesmo ninguém, embora possa ser idealizado o envio da mensagem. para com quem fazê-lo, conhecido ou desconhecido, seja um, seja muitos. Palavras, imagens/signos, símbolos, representações.
2. Para falar com um alguém, o ato de travar uma interação, muitas formas se mostram possíveis. Cartas, telefone fixo, telefone celular, mensagem de texto, e-mail, orkut. Quer saber o que ele tem feito? Orkut, blogs e fotologs são a vitrine do que se quer como intimidade. O íntimo/o pessoal/ o individual construído, por vontade ou levado. Tecnologia dá GPS, Google Maps, Google Latitude, e assim você pode saber onde alguém está, ou ao menos o seu celular.
3. Perder-se no mundo da comunicação e da tecnologia? Um mundo de mapas, roteiros, itinerários, zonas, manchas, lugares. Perder-se é se jogar ao desconhecido urbano - a periferia marcada por violência, o bairro residencial distante, a área abandonada. Perder-se é fácil no desconhecido, mas pode ser fácil se achar. Comunicar-se com/observar o outro. Há uma lógica de organização a ser decifrada.
4. Tem uma frase de Walter Benjamin muito utilizada como citação em textos de antropologia/sociologia urbana
Não saber se orientar numa cidade não significa muito. Perder-se nela, porém, como a gente se perde na floresta, é coisa que se deve aprender a fazer.Seria impossível se perder na cidade? Aprender a fazê-lo? Perder-se na floresta é o estar no desconhecido, o inusitado, que pode sim existir na cidade, nos confins, ou mesmo no quarteirão do lado nunca adentrado. O urbano não é único, tem suas milhares facetas e peculiaridades. Não se achar na cidade é não perguntar, não andar, não rodar, não se comunicar, não ousar, não procurar, não explorar?
5. Perder-se para achar-se na vida. Sair para voltar. Procurar fora e encontrar dentro. Fugir e se encontrar distante, querendo ser e estar num lugar. Morar numa cidade nova e encontrar a antiga todos os dias, a cada novo espaço explorado. Sair dela, mas permanecer. Viver uma cidade vivendo duas, olhar uma cidade olhando sempre duas.
2 comentários:
Ah, essas suas dúvidas também me inquietam e mexem profundamente comigo, amigo urbeano.
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