sábado, 10 de maio de 2008

Vou e não sei se volto

Teatro 9, após mais de um ano de atividades, encerra a partir de hoje suas atividades. Férias.
Pelo menos até próximo aviso, o blog encontrou seu fim de temporada.

Havendo retorno, vocês vão saber. ;)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Curtas experimentais

O Vida & Arte de 17 de abril tentou fazer um balanço geral do evento e me chamou a atenção a menção de "muito público". Teve mesmo? Pode ter sido grande, o que é muito bom, mas creio que tenha sido menor que o do ano passado, que teve mais divulgação. De uma maneira geral, o deste pareceu menos agitado, e isso foi possível ver pela movimentação do entorno dos lugares de exibição: no Dragão do Mar, havia gente da Petrobrás fazendo um quiz sobre cinema, na Praça do Ferreira havia telão, barraquinhas de comida e um estúdio de tv movimentado. Em compensação, a Revista de Cinema e o Canal Brasil estavam presentes - pontos positivos! O Cine São Luís estava sempre quente - ponto negativo.

A seleção de filmes nacionais foi melhor? Então gostaram de Desafinados, aquele híbrido de ficção com documentário que mais parecia sabe-se-lá o quê? Mas tudo bem, isso não importa. Quero falar é dos tais "polêmicos filmes experimentais" selecionados. Engraçado que se defenderam dizendo que 'é conceitual' e insinuaram que o público não entendeu o que se mostrava na tela porque... deve ser muita arte! 'Experimental' justifica muita coisa. Vi dois dias de curtas e gostei muito de algumas idéias - da idéia, do argumento.

A maioria deles tinha em comum o silêncio profundo, esse é o veículo do conceitual no experimental. A imagem em movimento que capta atores silenciosos, tomadas lentas e um quê de 'fantástico' juntos: essa é a receita. E isso me intriga: por que, em 3 filmes seguidos no domingo, os atores não deram um 'piu'? O diretor (que freqüentemente também é o roteirista nos experimentais) quer o silêncio conceitual? Com certeza, pode ser. Mas onde estão os atores de cinema de nossa cidade? Nós os temos? Eles interpretam bem? Essa é minha suspeita: não temos atores preparados para cinema. Temos atores de teatro e alguns têm trilhado o caminho do cinema local, mas, de uma maneira geral, não os vi atuando nos curtas do Cine Ceará.

domingo, 6 de abril de 2008

#58

Cine Ceará
De repente, BUM! Cine Ceará? Mas já?! Pois é, neste ano o nosso festival latino-americano de audiovisual deixou o mês de maio para acontecer em abril. Com o tema Educação e Audiovisual, a 18ª edição do festival, que ao mesmo tempo é um seminário internacional chamado "Nordeste, Cangaço e Cinema", vai do dia 10 ao dia 17 de abril.
Além das mostras competitivas no Cine São Luiz, o festival mantém suas mostras paralelas pela cidade. Para mais informações, http://www.cineceara.com.br/

Falando em Cine São Luiz...
Semana passada, nosso mais espetacular espaço de exibição cinematográfica completou 50 anos. O Sesc, que desde 2005 é o proprietário, fez a comemoração em parceria com a Ong Zinco e o aniversário do Zine-se, que fez 6 anos. Uma oficina de fanzine com o que esse cinema representa na vida dos participantes produziu o zine "O Lanterninha".








Papa-pilhas
O Banco Real tem se destacado como ecoamigo. Para além do papel reciclado, da coleta seletiva e da eficiência energética, o banco oferece em suas agências o serviço do Papa-pilhas. Deveria ser responsabilidade das empresas o recolhimento e, da prefeitura, uma orientação sobre o que fazer com as pilhas utilizadas, já que são radioativas e facilmente estouram.
Prefira as pilhas recarregáveis, mas dê um bom destino para as pilhas já usadas: entregue numa agência do banco Real, em horário comercial.




Graffiti no museu
Por pura preguiça, deixei de escrever sobre a exposição Entregue às Moscas, do MAC. Estava lá no dia da abertura e poderia feito uma daquelas críticas de arte... Só que antes seria preciso saber fazê-las e não ter a preguiça, mas a exposição é fantástica. Logo após minha atenção dada à arte urbana no penúltimo post, foi interessante ver o graffiti como arte de museu e apreciado pelo público.
Trabalho do grupo Acidum, a cena do graffiti em Fortaleza se apresenta em extremos: a pichação de muitos, o graffiti incipiente de poucos e o graffiti elaborado de um só grupo. E assim, "pop", o Acidum tem dominado os espaços possíveis, na ausência de outros de artistas e de outros coletivos.
Exposição até dia 13 de abril.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Hollywood, Bollywood e etcoetera

+ Hollywood está parada - mas que novidade. Ontem a greve dos roteiristas completou 3 agitados meses, com cerca de 12 mil deles mobilizados em protestos. Dezenas de séries e filmes estão parados porque as cabeças criativas estão lutando pelos seus direitos de classe. E de ego também; querem mais reconhecimento. Com razão, afinal sempre um bom filme é lembrado pelo diretor e pelo elenco. O fato de ser uma boa história fica a crédito de alguém-que-não-deve-ser-nomeado.
Desde dezembro, muitos atores aderem à causa, porém os estúdios ainda relutam, e ficam pesares como o murcho 65th Annual Golden Globe Awards, mas a greve já dá sinais de terminar.

+ Mas sempre há a não tão boa e velha reprise. Alugar filmes também. Neste feriado carnavalesco, então, vi Antes do Pôr-do-Sol - escrito e dirigido por Richard Linklater, que também fez Waking Life, que também teve Julie Delpy e Ethan Hawke, mas em desenho. O casal espontaneidade favorito do cinema pelos cantos de Paris e, já no fim do filme, escuta Nina Simone com Just In Time. Gostei de saber de sua atividade nos movimentos pelos direitos civis, contra a guerra do Vietnã e suas letras de mensagens políticas. Mas, 40 anos depois, e as eleições para definição de candidatos à presidência dos Estados Unidos ainda colocam negros e brancos, homens e mulheres separados. O partido dos Democratas está para decidir entre Hillary Clinton e Barack Obama, e perguntam se votam nela porque é mulher, se votam nele porque é negro e coisas assim. Uma confusão nas consciências, fazendo-os pensar se votarão por política afirmativa, corporação ou merecimento.

+ Hollywood pára, Bollywood está com tudo. Na verdade, enquanto os Estados Unidos param, a Índia vai com tudo; a indústria cinematográfica é apenas uma boa simbologia para algo bem maior. Vemos produtos da Índia e tudo, mas alguém aí já viu uma produção bollywoodiana?

O bollywoodiano Dhoom 2 tem assaltantes, carros, mulheres gostosas e valentões e - quanta honra - foi parcialmente filmado no Rio de Janeiro! Esse com certeza tem uma história que merece ser vista..

Ao contrário dessa possível "obra-prima", grande parte dos filmes indianos são histórias de amor em musicais, que aproveitam a arquitetura e as cores do país. Produções e tanto, mas que não se concentram numa só cidade; grande como é, o país tem a prolífica Bollywood (antiga Bombay, hoje Mumbai), mas também outras duas "ollywoods": Kollywood (de Kodambakkam, na cidade de
Chennai, e na língua Tamil) e Tollywood (Telugu). Juntar dois nomes, como Bombay com Hollywood é o que se conhece por portmanteau. Em português, porta-valise - se é que tem gente pra falar essa palavra.

+ E o francês não pára com suas palavras legais. A banda québécoise Malajube tem cd chamado Trompe-l'oeil. Em português, trompe-l'oeil é nada mais, nada menos que ilusão de ótica, mas conhece-se a expressão como a técnica de arte que proporciona as ilusões. La russe, Ton plat favori, Jus de cannesberges e Montréal -40º: será que dão, entre outras, ilusões de ótica? Só as reprises que conseguem iludir ninguém.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Graffiti - arte das ruas

Os franceses tinham razão: La beauté est dans la rue. Em 1968, as movimentações nas ruas se misturaram à arte, gerando protestos inovadores, principalmente na música. De lá para cá, as cidades se tornaram grandes centros urbanos, verdadeiros caldeirões culturais, que deram origem, entre outras coisas, ao que se conhece como cultura de rua.

Pelo que se sabe, o graffiti foi usado nos Estados Unidos a partir de 1967 para ativismo político e logo em experimentações artísticas. Em 1975, Nova Iorque e Los Angeles já tinham grafiteiros famosos. Depois Londres e Paris, e o mundo.

Mas graffiti é pichação? Embeleza ou suja a cidade? Spray nos muros, nos telefones públicos, nos postes, entre characters e tags - arte urbana? Dependendo da forma, do lugar e do propósito, é prática criminosa por depredar o patrimônio, público ou privado. O deus Wikipédia diz "Diferentemente do Grafite, cuja preocupação é de ordem estética, o piche tem como objetivo a demarcação de territórios entre grupos (as vezes rivais, depende de onde são esses grupos)." No Brasil, como em outros lugares, tem punição para quem é pego pichando.

As idéias são 'pichação é vandalismo' - 'graffiti é arte', tanto que centros culturais chamam grafiteiros para murais, eles expõem em museus etc. Arte urbana é inteligente, moderna, ousada na crítica e na inovação dos traços, da mistura de cores - arte contemporânea. Entre o submundo e o sistema, entre as gangues e a arte; vai do hip hop ao rap, do skate ao grunge e ao metrô, do independente e underground às grandes marcas, do graffiti ao sticker e o stencil.

Graffiti vai do decorativo às assinaturas estilizadas, as tags, e além das exposições de arte, também tem uma literatura, como é o recente NYC BCN - Street Art Revolution. Livro com centenas de fotos de tudo de arte urbana dessas duas cidades, que vi em Brasília. Brasília é BSB. NYC, BCN, BSB... A cidade de concreto e grama tem muita arte urbana por toda parte, mas não aparece como Rio e São Paulo. Não seja por isso. Percorri a W3 Sul de Brasília de bicicleta, na chuvosa manhã de 27 de janeiro, há alguns dias, e estou colocando um pouco do que há nesses 5 km e meio no meu flickr.

Long Island, região de NYC, é lugar do 5 Pointz. A partir de uma exposição do P.S. 1 Contemporary Art Center (afiliado ao famoso MoMA), surgiu a idéia para uma "Mecca do graffiti", como uns chamam. E o lugar é colossal.

O já falecido Jean-Michel Basquiat começou como grafiteiro e daí foi para as artes plásticas, num neo-expressionismo ousado. A revista Juxtapoz faz uma boa cobertura dessa arte, e anteontem publicou "Brazil is home to many of the world’s most talented street artists" (quanta moral), dando destaque para o brasileiro Mateu Velasco. Aqui em Fortaleza, um coletivo de destaque é o Acidum, com trabalhos no muro do CH 1 da UFC, no Dragão do Mar, no entorno do Mercado dos Pinhões, entre outros cantos. É arte que se vê e que se vive - fresh from the streets, orkut?

sábado, 19 de janeiro de 2008

Estação da Parangaba

E agora, Parangaba?
Desde 2006, passado e futuro (ou, como gostam de dizer, "progresso") foram colocados em conflito insolúvel na Parangaba. Embora seja, no mundo, um meio de transporte hoje mais limpo e bastante utilizado, os trens do Brasil, de uma maneira geral, foram esquecidos. Desde os anos 50/60, principalmente com o governo JK, o foco deste país tem sido carros, rodovias, asfalto (os detalhes sórdidos desse ponto de vista para o mundo são óbvios). Fortaleza tem trilhos e trens de passageiros passam diariamente. A estação João Felipe é movimentada, embora a estação da Parangaba esteja desativada praticamente.

A grande peleja de Fortaleza é seu tão prometido Metrofor, um sistema de trem urbano de superfície e subterrâneo que faz o percurso Maracanaú - Centro. Ou melhor, deveria fazer, já que não é concluído e gasta recursos públicos há mais de 10 anos. Quem passa em frente ao shopping Benfica vê há anos a placa do Metrofor e nada. Estudantes da UFC que se viam pegando metrô para terem aulas, hoje já devem estar graduados, trabalhando. Famílias já se formaram!

Mas querem derrubar a histórica estação da Parangaba. Ela é do começo do século 20, mas quem mandou estar logo ali, no meio do caminho do Metrofor? Estação audaciosa. A Parangaba já se chamou Porangaba e era município, virando depois distrito e então bairro. O local parece ter aquele orgulho do patrimônio cultural que parece ausente no resto da cidade, tanto que a intenção de demolir a estação fez com que surgisse uma mobilização pela manutenção do prédio histórico.

A coordenação do empreendimento urbano respondeu com uma apresentação de alternativas, mas nenhuma considerava mudança do caminho do metrô. Era preferível construir uma réplica próxima a manter a antiga. Em abril do ano passado, registrei a peleja de nossa cidade aqui no blog, mas cerca de um ano depois, parece que chega ao fim e, para quem torcia pela estação antiga, de maneira negativa.

Adiada duas vezes, a demolição está marcada para este domingo, dia 20 de janeiro de 2008. O estranho é que a Funcet (prefeitura) aprovou o pedido de reconhecimento da estação como patrimônio histórico. De acordo com o Comitê Pró-tombamento da estação, "A Funcet, que após meses de estudos técnicos emitiu parecer favorável ao tombamento da Estação, alega que de nada sabe acerca da pretensa demolição. Segundo a diretora do Departamento de Patrimônio da FUNCET, Dra. Ivone Cordeiro, o processo encontra-se atualmente concluído e aguardando apenas a assinatura da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins. Incomum demora faz desconfiarmos das causas da prefeita ainda não ter assinado e publicizado o documento. Aguardamos seu pronunciamento público sobre o caso, o que ainda não foi feito, após um ano de polêmica."
E então? Como fica? Está marcado para hoje, prefeita! O comitê e movimentos prometem mobilização no local.