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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Descentralização/Democratização

Preocupações com descentralização de equipamentos culturais compõem o panorama das decisões políticas de metrópoles talvez desde os anos 1970. As cidades foram expandidas e cresceram as distâncias de periferia e centro; moradores de áreas periféricas reivindicam, estudiosos criticam e, então, instituições procuram dar a devida resposta às demandas.

Em Nova York, o P.S.1 Contemporary Art Center foi inaugurado em 1976 em Long Island, ocupando uma escola desativada do bairro. Em São Paulo, o Centro Cultural São Paulo (foto) foi inaugurado em 1982 e compunha uma política cultural que buscava distribuir bibliotecas, teatros e casas de cultura por bairros da maior metrópole brasileira.

Em Fortaleza, houve uma onda de centros sociais urbanos a partir dos anos 70. É curioso que pesquisar essas informações é uma luta, pois não há registros fáceis. Encontrei um histórico interessante num blog de discussão ambiental. O autor do blog compara a experiência passada aos atuais CUCAs - Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte. Com o passar dos anos, os CSUs mudaram de nome, perderam identidade, público e, hoje, alguns estão abandonados e outros cumprem pequenas funções de serviços.

O primeiro Cuca, uma das bandeiras da prefeita Luizianne Lins (2005-), localiza-se na Barra do Ceará e já tem sido frequentado pela população. A construção está no lugar do antigo e desativado Clube de Regatas, à beira do rio Ceará, e se propõe a democratizar o acesso à cultura na cidade. O projeto da Prefeitura é de construir um Cuca em cada uma das 6 regiões administrativas da cidade.

Outro contexto presente em Fortaleza é o que surgiu com o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (foto). Construído no governo Tasso (1995-2002), a proposta era requalificar uma região pouco utilizada da Praia de Iracema e trabalhar elementos da história cearense, entretenimento, arte e turismo juntos em um grande empreendimento. As críticas à concepção do projeto, tido como centralizador de equipamentos culturais em áreas já servidas, encontram certa solução no governo Lúcio Alcântara (2003-2006), quando uma rede de movimentos sociais do Grande Bom Jardim apresentou projeto de um centro cultural na região. No fim de 2006, era inaugurado o Centro Cultural Bom Jardim.

Uma experiência bem interessante nesse panorama foi a Semana de Arte Moderna da Periferia, realizada em 2007 na cidade de São Paulo. Com o tema "Antropofagia periférica", os organizadores (cooperativas, coletivos, artistas e casas de cultura) programaram eventos para várias localidades da periferia da cidade, problematizando, por meio das exposições, mostras, debates e workshops, as ideias de centro/periferia, descentralização e democratização cultural e de autonomia da periferia.

Há um projeto de instituições e há, também, formas de apropriação pelos cidadãos que frequentam esses lugares. São as relações estabelecidas entre esses dois lados, mediatizadas pelo espaço, que definem rumos possíveis. Esse "diálogo" entre frequentadores e organização, que nem sempre se dá de fato, envolve usos pensados, outros usos e apropriações; nessa interação, sentidos são atribuídos e os projetos são atualizados.

sábado, 5 de maio de 2007

MIS reabre portas


Enquanto os órgãos do governo do estado tiveram novos diretores assumindo na nova gestão em março, o Museu da Imagem e do Som somente dia 20 de abril teve uma direção efetiva. O que se sabia era que o diretor anteriormente apontado teria nem dado as caras. A museóloga Manuelina Maria Duarte aceitou o cargo e já faz as coisas acontecerem.
O museu apresenta duas exposições até dia 30 de junho: Retratos de Fortaleza, que já esteve no MIS em 2004, e MaraviLhATA, que estava até o fim de fevereiro no IFoto. A primeira mostra 20 fotos da cidade de 1909 a 1970, com momentos e obras marcantes e banais da história da cidade, de bondes a banhistas da Beira-mar. MaraviLhATA é uma exposição de desenhos e de fotos em máquina artesanal pinhole dos alunos da Casa de Convivência Familiar a partir do tema Estatuto da Criança e do Adolescente.

Entrada franca. De segunda a sexta, das 8 às 12 e das 13 às 17.

segunda-feira, 12 de março de 2007

3x arte + francofonia

* O Espaço Cultural Unifor, ano passado, trouxe à Fortaleza a exposição !Mirabolante Miró, do pintor espanhol Joan Miró - sucesso, sucesso. A primeira exposição de 2007 é do artista holandês Rembrandt, com a exposição Rembrandt e a arte da gravura, apesar de ser mais conhecido pela pintura.
Em cartaz até dia 3 de junho (cuidado, não percam datas. vão logo.), de terça à domingo, das 10 às 20 horas.
O Diário do Nordeste fez uma comparação entre as gravuras e a fotografia, que ainda não existia na época. Embora ache essas comparações às vezes exageradas, admito que parecem mesmo.

* Vi hoje na tv que o famoso MASP, da famosa São Paulo, claro, abrirá nova exposição, dia 18, de Francisco de Goya. O que sabia era que o Masp estava em crise, mas, apesar das dívidas, o presidente do museu foi reeleito e propôs a construção de uma torre de 250 metros (parece que o prédio mais alto da cidade tem 170) num patrimônio histórico - o que foi vetado. Ainda assim, o Masp consegue uma exposição internacional. Como? Tá certo que se queira comemorar os 60 anos do museu em bom estilo, mas tentem tirar as contas do vermelho antes.

* Entusiastas da língua francesa, attention! Março, além de ser o mês do teatro e do circo, é o mês da francofonia, vejam só! Que mês este março! Confiram a programação e façam seus programinhas. Postei com atraso, foi mal, mas lembrei só hoje...

* Engraçadinho esse pessoal. A invasão do Afeganistão (assim como a do Iraque, que foi bem destrutiva nesse aspecto) foi responsável pela destruição de grande parte do patrimônio histórico-cultural do país. Daí fazem parecer um ato de honra o fato de que preservaram parte desse patrimônio na Inglaterra e agora devolvem ao país.