domingo, 2 de setembro de 2007

fé | morte | vida


Há dois domingos fui a uma igreja católica, e faz tempo que não vou a templos religiosos em geral. A verdade é que admiro quem tem fé e quem me dera tê-la profundamente. Tenho alguns "momentos espirituais" e gosto muito disso, mas não é como a fé, que responde perguntas, que satisfaz. A religião ou a crença é uma forma válida de pensar o mundo, de se colocar nele, mas ela não me satisfaz, não me responde. Prefiro, talvez, o racionalismo, mas não esse extremado que eu mesmo procurei - quero um diferente, que tento encontrar.
Mas então. Eu na igreja. Religião é uma merda, principalmente quanto maior for a sua instituição. O padre dessa igreja é daquele tipo de gente merda (soube de coisas que ele fez) e trata batizados praticamente como ocupações idiotas de seu tempo, mesmo que esses rituais sejam pagos. E, pois é, são pagos e demoram pouco, então qual é o significado de um batizado? Além do pretenso status que o 'registro da existência' do ato proporciona entre os que se identificam com ele (os católicos), o batizado é um ritual de "despaganização" que assegura o caminho para o "verdadeiro" senhor Deus - no caso, da Igreja Católica. E familiares se emocionam nessas ocasiões. A simbologia do ritual permite o significado da salvação, da garantia de um caminho "para próximo de Jesus".
Por mais que não queira para mim, acho os cânticos e as rezas em coro de uma missa muito bonitos pela devoção do fiel. Havia nessa igreja uma pintura da cena bíblica em que Pedro (foi ele mesmo?) responde aos chamados de Jesus, que está em pé no mar, e segue do barco até ele. Sabe... o que é isso?! Entregar-se dessa maneira é fantástico. Libertar-se de tudo pela crença em outro, entregar-se sem amarras, sem medo, com a confiança na certeza de eterna lealdade. Acho que isso tem muito a ver com visões de amor perfeito, amor romântico. Entregar-se completamente.

MORTE
Em outubro será lançado um filme intrigante. Seria engraçado, se não fosse sobre a morte - de alguém que está vivo. Por mais que a pessoa não seja querida, sabe? Isso é meio paia. Mas, né, "liberdade de expressão", e é um filme, é ficção.
Morte de um Presidente. Ele ainda não morreu; vejam a data do cartaz. Ainda dá pro Pentágono fazer alguma coisa... hê-hê.
Pelo que li, parece ser bem interessante pela forma com a qual o acontecimento é tratado e como o utilizam para os mais variados fins.

Obviamente, o motivo do filme e o fato de ele ser dos Estados Unidos, país do qual George W. Bush é ainda presidente (apesar de tudo) fizeram-no polêmico - ou ele por si só assim se fez. Com toda razão a Casa Branca não deve ter gostado. Acho que ninguém ia gostar, mas... enquanto isso...
Chuta ele! É! .o/
http://en.wikipedia.org/wiki/Death_of_a_President

VIDA
Um pouco agora de auto-ajuda - pra quem quiser.
* Criatividade é dádiva. Saber fazer é habilidade. Para se ter sucesso, imagino que seja necessário conciliar as duas coisas, além de inúmeros outros fatores. Mas faça seu caminho, façamos nossos caminhos. Para que seguir um modelo já aparentemente pronto? Espelhar-nos nos outros adianta? Cada um tem suas particularidades, suas peculiaridades, suas necessidades, vontades, seus sonhos, e que não são iguais aos dos outros. Seguir o caminho aparentemente seguro é fácil; ter a coragem de fazer o seu próprio que parece difícil.
* Sabe quando você desiste? Desistências são à primeira vista para os covardes, pois quem desiste na primeira vez em que algo dá errado é um fraco. Muitas coisas valem uma tentativa séria, e é bom tentar se você acha que algo vale a pena. Mas é preciso também ter a sabedoria de saber a hora de desistir de tentar, quando se vê que não há mais para onde correr, que não adianta lutar por algo fadado a não ser.

3 comentários:

::..Bel..:: disse...

da busca pela magia à admiração pela fé alheia. ai ai
outro dia ouvi um comentário parecido com o seu vindo de uma certa professora de antropologia. ela estava confessando aos seus alunos sobre a inveja que sentia das pessoas que iam à igreja e oravam com tanta fé e devoção. na hora, eu fiquei pensando sobre isso, tentando lembrar de situações assim e me dei conta de que eu não acredito tanto assim na fé das pessoas.
absurdamente (eu sei), eu acho que todas acreditam desacreditando nessa força suprema e no poder que esta tem sobre suas vidas. eu fico tentando lembrar de ocasiões que presenciei pessoas rezando, mas pra mim estas cenas estão muitos mais ligadas ao simbolismo, ao ato, à "encenação"/"lirismo" da coisa, sabe?
agora lembrei de algo que vi, alguém comentando que o que se encontra na Bíblia é muito mais poesia do que fé ou respostas. ops, acho que foi na aula de epistemologia...ehehehe
Enfim, eu só me sinto culpada de ver nos outros esse reflexo de mim mesma, de acreditar num Deus, de bater um papo com ele vezenquando, mas de ainda duvidar ou não querer ter resposta alguma sobre sua existência.
Acho que ao contrário de uma maioria, eu fujo das respostas sobre ele e dele. no fim, claro que devem haver estas pessoas que você vê, que devem realmente acreditar com todas suas forças e pronto.
[isso aqui tá quase um confessionário, ;D]
Cê lembrou a parte do Pedro no barco, acreditando e confiando totalmente no poder de Jesus e na entrega.
entrega me lembra muito mais a parte de abrãao ter de sacrificar seu filho porque Deus pediu que o fizesse e não é que ele vai mesmo? Mas aí, Deus (espertinho como ele só) põe um carneiro/ovelha (não lembro), em seu lugar, sendo aquilo tudo apenas um teste. Ah, isso é bem mais entrega e confiança, e é tão bonito. Você ter a coragem de pôr fim na vida da pessoa que mais ama, que mais esperou na vida, por um pedido de alguém que não tinha nem bem identidade comprovada.

ai ai, mas deixando essas coisas de lado tem o filme sobre o bush, ou melhor, morte do bush.
Caramba, tinha até esquecido disso. Acho que a primeira vez que vi foi algo sobre a reação do presidente e o cara que vai interpretá-lo, que se parece muito e tal.
ansiosa pra ver como será conduzido isto.

e esta partezinha de auto-ajuda, hein?
impressão minha ou nosso amiguinho nicolau (vulgo, maquiavel) discorda dessa sua idéia aí de não seguir caminhos já traçados? =P
enfim, é estranho porque eu não vejo lógica em acreditar que o caminho do outro vai me servir.
mas há quem acredite, né? eu só queria ver sentido nisso.
pra mim, pessoas diferentes, histórias diferentes, desfechos mais diferentes ainda.
ou não?
E desistir. queria ser melhor nisso.
acho que cê disse o essencial, pelo menos pra cabeça da maioria, desistir é sinônimo de covardia, de fraqueza.
tá que às vezes é, mas nem é sempre. tem vezes que pode ser coragem e desprendimento.
mas eu só consigo ser desse segundo modo quando o lado impulsivo fala mais alto. =P
A gente aprende né?!

É, me superando aqui e com vergonha, mas tenho a péssima mania de não conseguir apagar as coisas que eu escrevo quando acho que elas têm um mínimo sentido. intonssipronto, vai assim mesmo.

;*

João Miguel disse...

* Comunicado da coordenação do Teatro 9 *

Pessoal, este post "fé | morte | vida" se deu em forma de post duplo, em parceria com a blogueira ::..bel..::

>)

Thiago Fonsêca disse...

Algumas pensamentos vãos obre FÉ (ou religião, especificamente):

Às vezes fico só refletindo até que ponto o ato da devoção é espetacular para ou outros e para si. Vejo a fé religiosa mais como um amparo, um conforto. E acho que o pensamento religioso tenta mais explicar e o mundo do que pensá-lo. E acho que sou muito incoclasta para me abster a simbolismos sociais e valorização de objetos, dando-lhe um tal poder que eu não tenho. Possível? Enfim.

Mas, sim, é inegável o aspecto artístico e histórico-cultural que a religião tem sobre nós, tenhamos nós religião ou não e não importando qual (des)crença temos. Quanto ao amor romântico da entrega, acredito neste num sentido estrito entre pessoas. E mesmo assim é difícil de se realizar. Esta entrega sem amarras é complicado porque tendemos a ser presos em nós mesmos. Acho que a liberdade de si e para si, iniciada pela mental, é um primeiro passo. Mas acho que talvez isso esbarrasse com muitos conceitos rígidos dos dogmas religiosos. Então, é melhor baixar a cabeça e orar para a salvação eterna.

Sobre esta MORTE:

Quero lembrar que para se livrar desse abacaxi não basta tirar a coroa. hahaha

Sobre a VIDA:

Acredito na auto-consciência sendo o meio.