A sensação que tenho é que existir é confuso; viver incomoda. A situação é que o presente incomoda. Está balizado em premissas complexas e intrincadas que dificultam apreensão. Temos noção de fragmentos, e são muitas as experiências de tentar juntar esses pedaços, sobrepondo-os, procurando semelhanças pelos limites das fronteiras. As fronteiras formais (mesmo as tangíveis) não dão conta da dimensão dos corpos que procuram definir, porque pulsam e vibram em expansão e contração momentâneas. Momentos que adquirem uma elasticidade espaço-temporal e, embora inseridas meticulosamente em segundos/minutos/horas/dias e coordenadas espaciais (tanto real quanto virtualmente), perdem a noção de história com a excessividade da precisão. Os momentos se tornam sincrônicos, o que proporciona aos elementos constitutivos de pensamento e de ação a aparência de eternidade, de origem longínqua e imutabilidade.
A tentativa de costurar fragmentos é a experiência contemporânea? Parece que é fazer-se "ser" entre fios, entre sobreposições, no âmago do processo de reterritorialização. Não é só pensar, é preciso iniciar o processo de criar, a materialização dos processos subjetivos, traduzir a sensação. É difícil, mas sigo com otimismo e com algumas vozes orientadoras.
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