Era a aula de História da Arte II, do professor Sá Pessoa. Minha concentração estava desfocada, tentando se encontrar entre um nervoso fervilhar de ideias e o vazio contemplativo, quando ouvi a frase "... a obra de Bernini".- Vocês conhecem a história de Apolo e Dafne?
Não, eu não conhecia. Quem teria 'encantado' quem? Contou a história em poucas frases, o bastante para intrigar. Mas a escultura de Gian Lorenzo Bernini a fez ecoar nas entranhas. A perfeição das figuras humanas, o movimento dos corpos, as roupas, o gestual impressionam. Há, ainda, o elemento fantástico da transformação. Dafne é metamorfoseada em árvore - um loureiro - aos nossos olhos! Uma casca de madeira surge da terra e cobre sua púbis; de seus dedos, brotam galhos que já exibem folhas. Sua face revela surpresa, que tanto é da proximidade de seu perseguidor, quanto da imprevisibilidade do que a atinge.A mitologia proporcionou cenas e personagens que inspiraram dezenas de artistas em pintura, mosaico, escultura, gravura. Compartilhavam as histórias da Grécia e de Roma antigas como códigos de uma linguagem artística. Depois, o Cristianismo fez também sua contribuição.
Abaixo, algumas maneiras com que artistas decidiram retratar e/ou expressar a história de Apollo and Daphne.
Pintor desconhecido.
Escultura de Jacob Auer (inspirado em Bernini).
Da época bizantina (mosaico)-
Essa viagem por imagens, mitologias, histórias e períodos artísticos no Ocidente me inspiraram - "nas artes" - algumas questões referentes à metamorfose, à transformação do corpo, às interseções com a natureza... [continua]




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