segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Apolo e Dafne

Era a aula de História da Arte II, do professor Sá Pessoa. Minha concentração estava desfocada, tentando se encontrar entre um nervoso fervilhar de ideias e o vazio contemplativo, quando ouvi a frase "... a obra de Bernini".
- Vocês conhecem a história de Apolo e Dafne?
Não, eu não conhecia. Quem teria 'encantado' quem? Contou a história em poucas frases, o bastante para intrigar. Mas a escultura de Gian Lorenzo Bernini a fez ecoar nas entranhas. A perfeição das figuras humanas, o movimento dos corpos, as roupas, o gestual impressionam. Há, ainda, o elemento fantástico da transformação. Dafne é metamorfoseada em árvore - um loureiro - aos nossos olhos! Uma casca de madeira surge da terra e cobre sua púbis; de seus dedos, brotam galhos que já exibem folhas. Sua face revela surpresa, que tanto é da proximidade de seu perseguidor, quanto da imprevisibilidade do que a atinge.

A mitologia proporcionou cenas e personagens que inspiraram dezenas de artistas em pintura, mosaico, escultura, gravura. Compartilhavam as histórias da Grécia e de Roma antigas como códigos de uma linguagem artística. Depois, o Cristianismo fez também sua contribuição.
Abaixo, algumas maneiras com que artistas decidiram retratar e/ou expressar a história de Apollo and Daphne.

Pintura de Poussin

Pintor desconhecido.

Pintura de Tiepolo

Detalhe da escultura de Bernini

Pintura de Théodore Chassériau

Escultura de Jacob Auer (inspirado em Bernini).

Da época bizantina (mosaico)

"The kiss", by Klint (mosaico modernista)

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Essa viagem por imagens, mitologias, histórias e períodos artísticos no Ocidente me inspiraram - "nas artes" - algumas questões referentes à metamorfose, à transformação do corpo, às interseções com a natureza... [continua]

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