Na sexta-feira, participei de um encontro de artistas de intervenção urbana de Fortaleza. O que realmente foi bacana da organização do IntenCidade 2009, 2ª edição, foi concebê-lo na rua mesmo; aliás, uma travessa de paralelepípedos, com pneus e latões, e cadeiras e sofás e o batente da casa para os frequentadores sentarem. Nada mais condizente com o objeto de discussão do evento, na minha opinião. Um notebook ligado a um projetor exibia os vídeos-registro de ações de grupos e coletivos de arte urbana de Fortaleza. Logo após cada vídeo, os realizadores se apresentavam, apresentavam suas propostas e falavam de suas relações com a cidade, sua gente e seus espaços.
Era sexta-feira à noite, dia 18, e a roda pegou fogo quando encerraram as exibições e passaram para o debate final: um dos artistas presentes, que pouco antes havia apresentado seu vídeo, resolveu questionar tudo que todos ali faziam. Se as cervejas tem culpa e foram responsáveis por soltar a língua do cara, ou se tudo não passou de uma performance (por que não, não é mesmo? na minha opinião, ele foi a intervenção urbana da noite), tenho receio de que nunca saberei. Questionou o pensamento dos artistas de que seus trabalhos afetavam as vidas de outras pessoas, de que estavam contribuindo para uma outra cidade, porque, na verdade, todos ali estavam se vendendo e isso não era arte. E mais: disse que muitos falavam de questões sociais e faziam ações à noite, mas, quando aquilo acabava, voltavam para suas casas na Aldeota. E não acabou, tem mais: disse que era para o "pessoal de agora" deixar de achar que vivia o momento da arte urbana em Fortaleza, pensando no prestígio e tal, e cuidar, antes, de se conhecer e planejar ações para a cidade como um todo, para além do eixo Benfica - Centro - Praia de Iracema.
Enfim: o que ele queria dizer? Não sabemos ao certo, mas vamos tentar encontrar pontos-chave em meio à possivel contraditoriedade humana. A fala dele carregava a vontade de ver "um outro mundo", e que isso poderia ser feito pela arte, mas ligada à política e basilada no grupo, em relações mais sólidas entre os grupos de intervenção. E, naquele momento, exigia deles engajamento, visão política e ideais, querendo todos unidos por uma causa comum (a dele, à da dita "justiça social"), dando pouco valor às propostas apresentadas por aqueles jovens. Ora, o próprio trabalho dele era sobre uma obra submetida ao Salão de Abril que contestava o prêmio do Salão, pois os artistas poderiam estar ali mais pelo dinheiro que pela arte. Resultado: ele ganhou o prêmio com a obra. Contradições humanas, como falei. Como diria Maysa, a menina monstra: "Prático, normal".
Teatro 9 diz não para as uniformizações ou tentativas disso. A diversidade de ações e pluralidade de propostas são essenciais para a consolidação não só da cena de arte em Fortaleza, mas para a própria arte, de maneira geral. E, para isso, mais uma vez, defendo o estudo da história da arte. E mais: defendo o estudo da história da arte em Fortaleza. Entre os presentes no IntenCidade, a maioria poderia se dizer artista e, desses, uma parte havia estudado no Cefet (hoje IFET). Mas não conheciam muito sobre outros grupos atuantes na cidade em outras épocas.
Tudo bem, Michel Foucault poderia dizer que a história é uma construção e que não há um desenrolar de eventos; tudo bem, é verdade. Mas a história deve ser, então, (re)construída para dar o exato senso do que existe e do que já existiu: e assim vemos o que já houve, o que há e poderemos pensar no que haverá. Ou não.
Era sexta-feira à noite, dia 18, e a roda pegou fogo quando encerraram as exibições e passaram para o debate final: um dos artistas presentes, que pouco antes havia apresentado seu vídeo, resolveu questionar tudo que todos ali faziam. Se as cervejas tem culpa e foram responsáveis por soltar a língua do cara, ou se tudo não passou de uma performance (por que não, não é mesmo? na minha opinião, ele foi a intervenção urbana da noite), tenho receio de que nunca saberei. Questionou o pensamento dos artistas de que seus trabalhos afetavam as vidas de outras pessoas, de que estavam contribuindo para uma outra cidade, porque, na verdade, todos ali estavam se vendendo e isso não era arte. E mais: disse que muitos falavam de questões sociais e faziam ações à noite, mas, quando aquilo acabava, voltavam para suas casas na Aldeota. E não acabou, tem mais: disse que era para o "pessoal de agora" deixar de achar que vivia o momento da arte urbana em Fortaleza, pensando no prestígio e tal, e cuidar, antes, de se conhecer e planejar ações para a cidade como um todo, para além do eixo Benfica - Centro - Praia de Iracema.
Enfim: o que ele queria dizer? Não sabemos ao certo, mas vamos tentar encontrar pontos-chave em meio à possivel contraditoriedade humana. A fala dele carregava a vontade de ver "um outro mundo", e que isso poderia ser feito pela arte, mas ligada à política e basilada no grupo, em relações mais sólidas entre os grupos de intervenção. E, naquele momento, exigia deles engajamento, visão política e ideais, querendo todos unidos por uma causa comum (a dele, à da dita "justiça social"), dando pouco valor às propostas apresentadas por aqueles jovens. Ora, o próprio trabalho dele era sobre uma obra submetida ao Salão de Abril que contestava o prêmio do Salão, pois os artistas poderiam estar ali mais pelo dinheiro que pela arte. Resultado: ele ganhou o prêmio com a obra. Contradições humanas, como falei. Como diria Maysa, a menina monstra: "Prático, normal".
Teatro 9 diz não para as uniformizações ou tentativas disso. A diversidade de ações e pluralidade de propostas são essenciais para a consolidação não só da cena de arte em Fortaleza, mas para a própria arte, de maneira geral. E, para isso, mais uma vez, defendo o estudo da história da arte. E mais: defendo o estudo da história da arte em Fortaleza. Entre os presentes no IntenCidade, a maioria poderia se dizer artista e, desses, uma parte havia estudado no Cefet (hoje IFET). Mas não conheciam muito sobre outros grupos atuantes na cidade em outras épocas.
Tudo bem, Michel Foucault poderia dizer que a história é uma construção e que não há um desenrolar de eventos; tudo bem, é verdade. Mas a história deve ser, então, (re)construída para dar o exato senso do que existe e do que já existiu: e assim vemos o que já houve, o que há e poderemos pensar no que haverá. Ou não.
2 alô(s):
ar no intuito com que se faz as coisas, eu penso.
Se as intervenções são para fazer arte, podem sim agir livres despreocupadas e individuais. Mas se querem ter um caráter social significativo, tem de unir e pensar, ou pelo menos pensar por si mesmas e sair do campo arte-de-muro.
Algumas das intervenções mmostradas do Intencidade chegaram perto do propósito mudança social, mas outras ficaram apenas no campo da arte.
E o que eu estpu fazendo para agir também? criticando e pirando minhas idéias em busca de uma explosão criativa.
*mindfucking*
"... tem que pensar no intuito...."
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